Comportamentos que não estamos tão acostumados a ver em crianças podem aparecer repentinamente dentro de casa, e isso indica como está o processo de inteligência emocional dos filhos.
Segundo o Purepeople, a especialista em parentalidade Reem Raouda, que colabora com o programa de Oprah e é fundadora do Método da Disciplina Conectada, analisou o comportamento de mais de 200 crianças ao longo da sua carreira.
Ela identificou 5 comportamentos, visto como sinais, que indicam quando a inteligência emocional está no caminho esperado.
1. Identificar e nomear o que sente
Reconhecer emoções não é algo simples, até mesmo para os adultos. Existe a ideia de que há sentimentos “bons” e “ruins”, o que dificulta esse processo.
A psicóloga Iria Reguera, diretora do portal Trendencias, diz que todas as emoções são válidas e o que importa é como lidamos com isso.
De acordo com a psicóloga María Jesús Campos Osa, o primeiro passo para aprender a lidar com as emoções é saber identificá-las. Esse aprendizado começa pelos adultos, porque são uma referência.
Quando os responsáveis falam abertamente sobre o que sentem, auxiliam as crianças a entender e nomear suas próprias emoções.
A criança pode aprender por meio de brincadeiras, desenhos, histórias e jogos. Também vale associar palavras a sentimentos específicos, como sugere o psicólogo e doutor em educação Rafael Guerrero, no livro Educação Emocional e Apego.

2. Os sinais do silêncio na inteligência emocional
Crianças com inteligência emocional mais desenvolvida conseguem interpretar gestos, expressões faciais e linguagem corporal. Elas sabem quando alguém está triste, chateado ou incomodado, mesmo sem palavras.
Segundo Reem Raouda, pais que querem estimular essa habilidade precisam conversar com os filhos sobre situações do cotidiano e refletir sobre as emoções percebidas nas pessoas com quem tiveram contato.
Se a criança fala sobre algo que aconteceu com um colega da escola, os adultos devem perguntar como ela acha que o amigo se sentiu. Esse tipo de pergunta ajuda a entender a percepção emocional.
3. Demonstração de empatia
A empatia é uma das habilidades mais ligadas à inteligência emocional, ao compreender o que outra pessoa está sentindo, mesmo quando não há concordância ou identificação total com a situação.
De acordo com Iria Reguera, essa capacidade contribui para relações sociais mais saudáveis e ajuda a reduzir comportamentos como preconceito, bullying e discriminação.
No caso das crianças pequenas, a empatia é aprendida principalmente por meio do exemplo. Atitudes de ajuda, escuta e atenção no dia a dia mostram, na prática, como se colocar no lugar do outro.
4. Saber ouvir também demonstra inteligência emocional
As crianças conseguem escutar, perceber emoções e demonstrar interesse pelo que os adultos dizem. Isso acontece quando aprendem a praticar a escuta ativa e reflexiva.
Reem Raouda enfatiza que isso acontece por imitação. Quando a criança quer contar algo, é importante olhar nos olhos, se abaixar à altura dela e demonstrar atenção. Repetir parte do que foi dito ajuda a mostrar que a mensagem foi realmente ouvida.
5. A criança que sabe lidar com mudanças
A capacidade de adaptação faz parte do ser humano. Segundo Reguera, as pessoas não apenas precisam se adaptar às circunstâncias, como também conseguem fazer isso.
Em crianças, enxergar mudanças de planos como algo natural, e não como problema, auxilia no desenvolvimento da adaptabilidade. Isso pode ser reforçado quando os adultos mantêm a calma diante de imprevistos.
Mudanças também podem virar oportunidades de aprendizado. Ao perguntar o que pode ser feito quando algo não sai como o esperado, os pais auxiliam a criança a pensar em soluções.
6. A criança consegue se autorregular
A autorregulação ocorre quando a criança aprende a lidar com a frustração após perder um jogo ou enfrentar uma situação difícil.
Segundo Reem Raouda, crianças emocionalmente desenvolvidas enfrentam emoções intensas, assim, manter a calma e tomar decisões mais equilibradas é essencial.
Para que crianças possam aprender isso, os adultos devem evitar reações exageradas. Isso mostra que as emoções podem ser controladas.
Manter a calma em momentos de estresse ensina mais do que discursos. A especialista também recomenda técnicas simples como fazer pausas e respirar fundo.
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