Vem aí uma sequência de períodos repletos de grandes desafios para os pais: filhos dentro de casa, entediados, repetindo a todo momento “não tem nada para fazer!” E assim que você pensar ter chegado a hora de respirar um pouco, na contagem regressiva do volta às aulas, lá vem a maratona de adaptação a novos horários, rotina, professora nova.
Pensar em cada uma dessas etapas como momentos que fazem parte da maternidade e paternidade, acreditando que um dia você sentirá saudade, já ajuda a passar por elas de forma mais leve. Isso não é tudo o que você pode fazer, porém. Alguns pequenos ajustes na rotina dentro de casa vão fazer uma enorme diferença para que seu filho tenha o desenvolvimento saudável que merece e para que consiga construir ferramentas que levará para a vida toda. E a notícia que representa zero novidade é: seu maior desafio e o ajuste com resultado mais positivo e duradouro para seu filho será o equilíbrio no uso das telas.
Seu filho vai precisar da sua consistência e determinação para enfrentar os desafios do mundo real. Não, ele não vai escolher se desconectar e nem fazer isso sem sua ajuda. Todas as maravilhas da tecnologia têm um poder imenso para absorver a atenção e, aos poucos, reduzir a pó a capacidade de foco, concentração, autorregulação e convivência social de nossas crianças. O antídoto está em uma rotina equilibrada, com atividades feitas no mundo concreto, longe da tecnologia. Colocar para si mesmo/a o desafio de garantir que seu filho não seja abduzido pela relação de vício que o mundo digital gera será sua melhor promessa de final de ano.

Descobrir os prazeres do olho no olho e da convivência com outras pessoas são aprendizados que dependem de nós, adultos responsáveis. O maior desafio para os pais, mães e avós é vencer a dor que sentem ao ver a reação negativa das crianças quando chega o momento de se desconectarem das telas. Primeiro, precisamos aceitar que nossos filhos vão enfrentar momentos de frustração até conseguirmos uma rotina equilibrada no uso da tecnologia. E isso vai ajudar para que se tornem mais seguros e preparados para os desafios da vida. Se você conseguir passar por esse desafio, seu filho consegue também.
O maior obstáculo é aceitar que vai ter frustração, vai ter choro, vai ter lamentação. E mesmo assim, precisamos manter a regra da hora de se desconectar. Você vai precisar manter a calma. Deixar que seu filho reclame e reconhecer os sentimentos que ele colocar. “É chato mesmo filho, eu entendo.” Se tiver choro, diga que você está junto com ele, que vai passar, mas que tudo bem chorar. Você só precisa de poucos momentos assim e seu filho vai descobrir os prazeres da conexão com pessoas do mundo real, com seus brinquedos e desafios. Um ano inteiro mais leve e repleto de paz será a colheita para toda a família.
Deixe o seu Comentário