Geralmente acontece assim: ela aparece sem consentimento. Sorrateira, bem devagar, quase imperceptível. E, de repente, quando menos se espera…
BUM!
Surpresa.
O software do seu filho foi atualizado com sucesso: a adolescência chegou.
Fica a impressão de que o tempo passa rápido demais. Ou – o que talvez seja ainda mais inquietante – somos nós que passamos rápido demais pelo tempo.
Tenho pensado muito sobre isso nos últimos dias. Recentemente, fui promovida oficialmente ao cargo de mãe de adolescente. Confesso que um misto de entusiasmo e uma certa melancolia tomou conta de mim. Ver a infância da Clarice fazendo as malas tem sido um processo, ao mesmo tempo, dolorido e transformador.
Não apenas pelos desafios que esse novo nível nos apresenta, mas pela beleza de observar o desenvolvimento acontecer, as mudanças chegarem e presenciar ela descobrindo quem, de fato, está se tornando.
Acredito que toda fase da vida traz suas dores e seus anseios. Mas, verdade seja dita: muitas famílias se arrepiam só de ouvir a palavra adolescência.
Em meio a tantos acessos e excessos da nossa sociedade atual, fica a pergunta: como se educa um adolescente? Não posso (e não vou) romantizar esse período. Mas peço licença para fazer um convite.
Para isso, acho importante compartilhar um pequeno recorte da minha própria história. Fui uma adolescente raiz, típica dos anos 90. Gostava de sair, ouvir música, e meus amigos quase sempre eram prioridade.
Confesso que, muitas vezes, eu não entendia o sentido de alguns medos ou preocupações que meus pais expressavam. Então, era comum que algumas conversas se exaltassem um pouco mais. Certo dia, ao presenciar uma discussão em casa, ouvi minha tia dizer: “Ainda bem que não tive filhos. Aborrecente é um horror. Você está insuportável.”
Ouvi isso mais de uma vez. E, para ser sincera, não me lembro de ter doído exatamente naquele momento. Mas essa frase me assombrou muitas vezes depois, sempre que alguma experiência difícil acontecia.
Claro que muitas outras vivências, positivas e negativas, moldaram quem sou hoje. Mas existe uma pergunta sobre a qual reflito muito e que gostaria de compartilhar: como a minha comunicação impacta emocionalmente a vida do meu adolescente?
A neurociência nos mostra que o grande responsável pelas transformações da adolescência é o cérebro – e ele só atinge sua maturidade plena por volta dos 24 ou 25 anos, especialmente nas áreas relacionadas ao planejamento, controle de impulsos e tomada de decisões.

A adolescência é o “adultecer” de um indivíduo. É o meio do caminho: já não é mais criança, mas também ainda não é adulto. É o tempo do reconhecimento da própria identidade, enquanto se aprende, pouco a pouco, a lidar com uma mente que ainda está se organizando para ser.
A despedida da infância não é apenas um processo nosso e, na maioria das vezes, nossos jovens também não conseguem entender por que se sentem tão desconectados de si mesmos. Isso também dói para eles. Complexo, né?
Por esse motivo, meu convite é para que nós, adultos – munidos de um cérebro já amadurecido – possamos ampliar o olhar para além das respostas atravessadas e das portas batidas.
Entender que, por trás de cada comportamento, existe sempre algo que precisa ser dito… algo que pede para ser compreendido. A adolescência precisa de regras claras e limites bem definidos, mas também pede atenção, diálogo, cuidado e muito afeto.
Reconheço que essa tarefa não é simples. Cada família tem sua história, cada pessoa sua personalidade, suas necessidades e seus próprios desafios.
Mas compreender o que acontece nesse período pode ser o primeiro passo – e talvez a chave – para construir um vínculo seguro e uma parentalidade mais consciente e respeitosa.
Neste espaço, quero acolher suas angústias, seus medos e também o seu cansaço. Quero compartilhar reflexões e estratégias possíveis, reais, que tornem a jornada de maternar na adolescência mais leve e mais conectada. Prometo não soltar sua mão. Vamos juntos?
Beijos, com muito afeto.

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