Você, que é pai e mãe de atleta, eu sei: é bem provável que já tenha pensado isso: “Santo de casa não faz milagre”. Aquela sensação de que seu filho escuta mais o treinador, reage melhor a outras pessoas e parece ignorar justamente quem está sempre ao lado dele – eu escuto isso com frequência dos pais nos meus atendimentos.
E eu entendo você, de verdade. Você se dedica, está presente, organiza rotina, investe tempo, energia, dinheiro, e, ainda assim, em alguns momentos, parece que não é suficiente.
Mas existe um ponto cego nessa jornada: a forma como você se comporta emocionalmente também está treinando seu filho o tempo todo – e em silêncio.
Por isso, antes de tentar ajustar o comportamento dele, vale uma reflexão importante: quem treina os pais para lidar com os desafios dos filhos no esporte? Como estão as suas emoções nesse processo? Você consegue manter equilíbrio nos momentos difíceis? Ou também se deixa levar pela frustração, ansiedade e expectativa?
Porque existe uma coisa que poucos pais perceberam: você não é só apoio logístico. Muito antes de qualquer técnico, psicólogo ou método, você é, querendo ou não, o principal treinador emocional do seu filho. É o seu comportamento que ensina como ele vai lidar com as situações desafiadoras.
No seu olhar depois de um erro.
No silêncio dentro do carro.
Na forma como você reage a uma derrota, com reações impulsivas.
Seu filho pode até não demonstrar, mas ele está aprendendo com você o tempo todo.
Agora vem a parte que talvez incomode um pouco, mas é necessária: como você quer que seu filho tenha controle emocional, se, na arquibancada, você fica exaltado? Como você quer que ele confie, se sente em você mais tensão do que segurança? Não adianta pedir calma se você transmite ansiedade. Não adianta falar sobre confiança se sua comunicação é baseada em cobrança.
Porque é incoerente cobrar equilíbrio de uma criança se o adulto ao lado não consegue demonstrar o mesmo. Percebe? Não é sobre culpa. É sobre consciência.
Você não faz isso por querer, muito pelo contrário: você quer ajudar, quer ver seu filho evoluir, aproveitar o potencial, não “perder tempo”. Só que, sem perceber, pode acabar gerando exatamente o oposto: mais ansiedade, mais medo, mais insegurança.
E é aqui que muita gente se apoia naquela frase confortável: “Santo de casa não faz milagre”.
Mas a verdade é outra: santo de casa faz milagre, sim. Só que, com as ferramentas certas, faz pelo exemplo, pela repetição, pelo que você transmite quando realmente importa.

Seu filho não precisa de um pai ou mãe perfeitos. Ele precisa de você consciente. De alguém que entenda que, antes de ensinar qualquer coisa para ele, precisa olhar para si.
Lembra da máscara de oxigênio no avião? Primeiro em você, depois nele.
E eu entendo: talvez você nunca tenha sido preparado para isso ou até mesmo pensado no seu papel. Ninguém ensinou que ser pai ou mãe de atleta envolve também aprender a lidar com as próprias emoções e comportamentos.
Você estudou para sua profissão, aprendeu a lidar com dinheiro, com responsabilidades, mas dificilmente alguém te ensinou a desenvolver emocionalmente um filho dentro de um ambiente competitivo.
Porque, a partir do momento em que você assume que faz parte do time – e que talvez seja a peça mais importante dele –, você deixa de agir no automático e começa, de fato, a construir algo maior.
Seu filho pode até ter vários treinadores, mas nenhum terá o impacto que você tem. É preciso entender e aceitar que inteligência emocional deixou de ser diferencial: é necessidade básica. E quem não desenvolver isso vai assistir o próprio filho travar diante de pressão, medo e insegurança, sem entender o porquê.
Se esse texto fez sentido para você, talvez seja o momento de dar o próximo passo.
No Instagram @profissaopaisdeatleta, eu compartilho caminhos práticos para você desenvolver não só o seu filho, mas principalmente você dentro desse processo.
Vem fazer parte de um time que nunca perde. Família: um time invencível!

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