Ondas de calor, temperaturas cada vez mais altas e mudanças climáticas já fazem parte do dia a dia.
Mas um novo estudo acende um alerta importante, especialmente para os pais de crianças pequenas: o calor excessivo pode prejudicar o desenvolvimento infantil, principalmente nos primeiros anos de vida.
A pesquisa foi publicada em dezembro de 2025 no Journal of Child Psychology and Psychiatry e divulgada pela Steinhardt School of Culture, Education, and Human Development, da Universidade de Nova York.
Para chegar nos resultados, os cientistas analisaram dados de crianças de três e quatro anos em diferentes países e encontraram uma relação direta entre altas temperaturas e atrasos em marcos importantes do desenvolvimento, como leitura e habilidades matemáticas básicas.
Qual relação entre calor e desenvolvimento infantil?
De acordo com os pesquisadores, crianças expostas a temperaturas médias máximas acima de 30 °C apresentaram mais dificuldades para atingir marcos esperados de desenvolvimento.
Principalmente, quando comparadas a crianças que vivem em regiões com temperaturas mais amenas.
Esses marcos fazem parte do chamado Índice de Desenvolvimento na Primeira Infância, uma ferramenta usada internacionalmente para avaliar habilidades fundamentais nessa fase da vida.
O índice analisa quatro áreas principais:
- Leitura e números (alfabetização e numeracia)
- Desenvolvimento socioemocional
- Abordagens de aprendizagem
- Desenvolvimento físico
Segundo os dados, crianças expostas ao calor excessivo tiveram entre 5% e 6,7% menos chances de se desenvolver e de alcançar habilidades básicas de leitura e matemática.
Embora o impacto não seja visível de forma imediata, ele pode trazer consequências a longo prazo.
Por que isso é tão importante na primeira infância?
Os primeiros anos de vida são decisivos. É nesse período que o cérebro se desenvolve mais rapidamente e cria as bases para a aprendizagem, a saúde mental, o comportamento e o bem-estar ao longo da vida.
Como explica Jorge Cuartas, professor assistente de Psicologia Aplicada da NYU Steinhardt e autor principal do estudo, qualquer fator que afete o desenvolvimento nessa fase pode ter efeitos duradouros.
Segundo ele, embora o impacto do calor na saúde física já seja conhecido, essa pesquisa mostra que o problema vai além e atinge também o desenvolvimento cognitivo das crianças.
Para mães e pais, isso reforça algo que muitas famílias já sentem no dia a dia: crianças ficam mais irritadas, cansadas e com dificuldade de concentração em dias muito quentes.
O que naturalmente interfere na aprendizagem e nas interações.
Nem todas as crianças são afetadas da mesma forma
Outro ponto importante do estudo e que merece destaque é que os impactos do calor não são iguais para todas as famílias. Os efeitos foram mais intensos entre crianças que:
- vivem em famílias em situação de vulnerabilidade econômica
- têm menos acesso à água potável
- moram em áreas urbanas, onde o calor costuma ser mais intenso
O que as famílias podem fazer no dia a dia?
Embora o estudo tenha analisado dados globais, ele traz reflexões práticas para a rotina das famílias.
Garantir ambientes mais frescos, boa hidratação e momentos de descanso pode ajudar a reduzir os efeitos do calor no comportamento e na aprendizagem das crianças.
Além disso, políticas públicas voltadas para educação, infraestrutura urbana, acesso à água e adaptação climática são fundamentais para proteger o desenvolvimento infantil em um cenário de aquecimento global.
Como destaca Cuartas, ainda são necessários mais estudos para entender exatamente como o calor afeta o cérebro em desenvolvimento. No entanto, os dados atuais já indicam a urgência de ações preventivas.
Um alerta para o presente e para o futuro
O estudo analisou informações de 19.607 crianças de países como Gâmbia, Geórgia, Madagascar, Malawi, Palestina e Serra Leoa, cruzando dados de desenvolvimento infantil com registros climáticos entre 2017 e 2020. Os resultados reforçam algo essencial: cuidar do planeta também é cuidar das crianças.
Afinal de contas, em um mundo cada vez mais quente, pensar em estratégias para proteger a infância não é apenas uma questão ambiental, mas também de saúde, educação e futuro.
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