Querida leitora,
Eu precisava começar por aqui em nossa primeira carta porque, antes de contar qualquer história, quero que você saiba o que encontrará quando voltar a cada mês. Não será um manual de sobrevivência. Será mais como um espelho, refletindo pedaços em que você – assim espero – se identifica, se inspira e encontra incentivo para se movimentar.
Há alguns anos, a vida me apresentou uma versão de mim que eu jamais esperaria e não queria conhecer: a da mãe solo. Não escolhi esse caminho da forma como se escolhe uma carreira ou um destino de viagem. Ele chegou com dor, com ruptura, com silêncios que pesavam mais do que qualquer palavra dita em voz alta.
Mas aqui estou. Inteira.
Não inteira no sentido de que nada se quebrou. Muita coisa foi partida. Mas inteira no sentido de que eu juntei os pedaços com as próprias mãos (e com a ajuda de pequenos pares de mãozinhas) e segui, um passinho de cada vez. É essa a inteireza que quero celebrar nesta coluna: a de quem chora de madrugada, mas acorda cedo mesmo assim. A de quem sente medo e vai. A de quem ama tanto que transforma a dor em presença sem medida.
“Cartas de uma mãe inteira” nasce três dias antes do Dia das Mães, e não é coincidência.
Antes que você acorde no domingo e receba flores, abraços ou cartõezinhos amassados que valem mais do que ouro, quero que você saiba que aqui tem alguém que, mesmo sem te conhecer, sabe exatamente o peso que você carrega… e a beleza de como você carrega.

Você merece ser celebrada. Com toda a sua complexidade. Com tudo o que você abriu mão e tudo o que conquistou ao mesmo tempo. Com as marcas que ficaram e com a mulher que nasceu delas.
Nesta coluna, falaremos sobre maternidade solo como quem fala de uma lente, não de um rótulo. Através dela, vou trazer temas como carreira, afetos, finanças, independência, amor, saúde mental e recomeço.
Porque ser mãe solo não é uma condição. É uma perspectiva de mundo.
Esta não é uma coluna de lamentos. É uma coluna de vida real, com beleza e com peso, com leveza e com verdade. Cada carta será escrita pensando em você: a que está começando nesse caminho meio desconhecido, a que já está no meio da jornada, a que jurou que não ia aguentar e está aqui, aguentando e sorrindo mais do que antes.
Bem-vinda a este espaço, querida. Ele também é seu.
E, se você ainda não sabe se chegou na hora certa: chegou. Sempre se chega na hora certa quando se está pronta para ver.
Com amor,
Gabi Cano

Deixe o seu Comentário