Quando eu era criança, pensava que minha mãe era uma mãe comum. Do meu ponto de vista, na época, imaturo e infantil, tudo o que ela fazia parecia fácil, e eu não podia imaginar o tamanho de sua força e as renúncias que ela precisou fazer.
Talvez tenha sido pelo fato de que ela nunca reclamava de nada, apesar das inúmeras tarefas que cumpria: ela cuidava dos filhos e do marido, trabalhava fora e ainda encontrava energia para fazer o jantar. Ela separava brigas, ajudava no dever de casa e contava histórias para a gente dormir.
Até hoje, não sei como ela fazia tanto sem estremecer. Agora que sou mãe, tenho certeza de que ela devia chorar escondida muitas e muitas vezes. Hoje, vejo que minha mãe nunca foi comum: ela sempre foi uma supermãe, e os dias simples eram, na verdade, os dias mais felizes, pois ela sabia transformar a rotina em memórias especiais.
Existe muita beleza no encontro entre a filha que fomos e a mãe que nos tornamos: é nesse momento da vida que percebemos que nossas mães também eram apenas mulheres vivendo pela primeira vez.
Quando nossos filhos nascem, entendemos a mágica que elas faziam para tentar driblar o cansaço, o bom humor que mantinham apesar das noites mal dormidas e o amor traduzido em pequenos gestos carinhosos do dia a dia. Acredite, existe muito de nossa mãe em nós, mesmo que a gente nem sempre consiga perceber.

A maternidade não começa apenas quando um filho nasce. Antes de nosso corpo se tornar casa, existia um colo nos acolhendo. Antes de aprendermos a acalmar o choro dos nossos bebês, alguém aprendeu a acalmar o nosso. Antes de nos preocuparmos com o futuro dos nossos filhos, houve uma mulher zelando por nossa saúde e tentando estar presente na nossa infância.
É por isso que a maternidade nos faz voltar emocionalmente para casa e enxergar nossa própria história e a de nossas mães com olhos mais gentis e carinhosos.
Ao olharmos para a nossa mãe não apenas como mãe, mas como mulher, percebemos que, por trás de tudo, existia alguém tentando acertar, amar e proteger da melhor forma que conseguia. Nem sempre perfeita, mas sempre humana.
Uma mulher que escolheu criar filhos enquanto também enfrentava seus próprios medos, inseguranças e limitações. Muitas vezes, sem rede de apoio, sem tempo para si mesma e sem o reconhecimento que merecia. Que seguiu em frente mesmo cansada, sobrecarregada e tendo que ser forte quando tudo dentro dela também precisava de cuidado.
Neste Dia das Mães, vamos comemorar não apenas a nossa maternidade, mas aquela que um dia nos gerou. Que possamos honrar as mulheres que vieram antes de nós, as que começaram essa história: um amor que atravessou gerações até chegar aos nossos filhos.

Deixe o seu Comentário