O governo Trump reverteu sua posição sobre a licença da Chevron para produzir petróleo na Venezuela, no que representa um abrandamento da política em relação ao governo do ditador Nicolás Maduro.
Duas pessoas a par do acordo disseram que a Chevron está recebendo permissão para retomar o bombeamento e a exportação de petróleo da Venezuela, apenas cinco meses após o governo Trump anunciar que cancelaria a licença do grupo devido a preocupações com direitos humanos.
A Chevron havia recebido uma licença para produzir e exportar petróleo venezuelano pelo governo Biden, uma medida criticada pela oposição do país e pelo presidente Donald Trump, que escreveu no Truth Social: “Estamos revertendo as concessões que o desonesto Joe Biden deu a Nicolás Maduro, da Venezuela.”
A reversão da política é uma grande vitória para a Chevron, que fez intenso lobby para ter sua licença restaurada, argumentando que China e Rússia ganhariam influência na Venezuela —e no Ocidente— se fosse forçada a sair.
Isso também sublinha a natureza caótica e transacional das relações de política externa do governo Trump, em que direitos humanos e outras questões podem se tornar moedas de troca em negociações mais amplas sobre outros assuntos.
A medida reflete posições divergentes dentro do governo Trump sobre a política para a Venezuela, com os linha-dura liderados pelo secretário de Estado, Marco Rubio, frequentemente em desacordo com Richard Grenell, o enviado do presidente para missões especiais, que tem favorecido acordos com Caracas sobre migração e energia.
O novo arranjo era semelhante à licença de Biden, exceto que inicialmente duraria apenas seis meses, sem renovação automática, de acordo com um interlocutor com conhecimento das discussões, e o governo venezuelano receberia pagamento por royalties e impostos em petróleo, não em dinheiro.
Outras empresas petrolíferas estrangeiras tiveram suas licenças na Venezuela canceladas pelo governo Trump. Não ficou claro se elas também seriam restauradas.
Um alto funcionário do Departamento de Estado que não quis se identificar disse que o governo dos EUA não permitirá que o regime de Maduro lucre com a venda de petróleo.
O acordo segue uma troca de prisioneiros concluída entre Washington e Caracas na semana passada que viu a libertação de 10 cidadãos americanos presos na Venezuela, enquanto 250 venezuelanos deportados pelos EUA para El Salvador foram devolvidos para casa. Maduro há muito tempo usa cidadãos americanos detidos como moeda de troca em negociações com Washington.
O funcionário do Departamento de Estado disse que as licenças não foram consideradas na troca de prisioneiros.
Até a reversão do caso Chevron, Trump seguiu a estretégia de “pressão máxima” de seu primeiro mandato em relação a Maduro, que tomou posse para um terceiro mandato em janeiro, apesar de evidências de fraude na eleição do ano passado. Após essa votação, Maduro lançou uma repressão à dissidência, prendendo centenas.
Analistas disseram que a aprovação da legislação tributária emblemática de Trump, que dependia dos votos de republicanos do Congresso que defendiam uma postura linha-dura contra a Venezuela, deu ao governo uma abertura para relaxar as sanções agora que foi aprovada.
“As sanções à Venezuela podem ter sido o preço de três votos da Flórida em maio, mas o grande e belo projeto de lei de Trump se tornou lei no país em 4 de julho“, disse Kevin Book, diretor administrativo da ClearView Energy Partners.
Michael Shifter, pesquisador sênior e ex-presidente do think-tank Inter-American Dialogue em Washington, disse que “provavelmente foi ingênuo acreditar que Maduro libertaria reféns americanos sem que a Chevron obtivesse uma licença para reiniciar as operações em troca. Isso marca a mais recente reviravolta na política energética e externa do governo Trump.”
A Chevron, que opera através de joint ventures com a estatal petrolífera venezuelana PDVSA, produzia cerca de 240 mil barris por dia de petróleo bruto antes de ser ordenada a cessar a produção, o que representa cerca de 25% da produção de petróleo do país.
A Chevron disse em um comunicado que conduzia seus negócios globalmente em conformidade com leis e regulamentos aplicáveis ao seu negócio, bem como com as estruturas de sanções fornecidas pelo governo dos EUA, inclusive na Venezuela.
Um porta-voz do governo venezuelano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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